7 ideias para o Funchal
Artigos de OpiniãoCom a revisão do PDM, em breve se deverá começar a discutir o futuro da cidade. Aqui ficam 7 ideias sobre as quais penso que deveria assentar o dito documento.
1-Reequacionamento das áreas a conservar. Sem limitar o conceito à s áreas de centro histórico, de paisagem humanizada, Quintas, etc, diria que são áreas com caracterÃsticas diversas mas que, no seu conjunto constroem o essencial do carácter da cidade. São partes da cidade que fazem do Funchal uma cidade com uma identidade distinta de tantos outros locais. Conservar, neste caso, não significa pura e simplesmente “mumificar†essas partes. Antes pelo contrário, significa requalificar mantendo caracterÃsticas como sejam a escala, o tipo de ocupação, dimensão de lotes e outras próprias dos sÃtios que devem ser, previamente, objecto de estudo.
2-Concentração nas áreas de expansão. É necessário definir concretamente as novas áreas de expansão para criar verdadeiras centralidades e para que não aconteça o mesmo que está a acontecer na zona do Amparo/S.Martinho/Piornais que se está a transformar num simples dormitório do Funchal. Nas novas áreas que têm este potencial, como Santa Rita, deverá permitir-se construção em altura libertando espaços verdes e públicos. Concentrar significa economizar em infraestruturas e serviços públicos.
3-Redefinição das zonas habitacionais. Estas áreas devem distinguir-se apenas entre zonas de habitação colectiva e zonas de moradias unifamiliares e raramente deve ser permitido a mistura entre as duas tipologias. A capacidade construtiva das primeiras deve ser dada por Planos de Urbanização, se possÃvel, com a definição de alinhamentos de fachadas e cérceas e também da relação entre o espaço público e o privado; as segundas devem afinar os seus parâmetros mÃnimos e máximos por valores semelhantes ao das actuais zonas habitacionais de média densidade, enquanto que as suas restantes caracterÃsticas devem ser deixadas ao critério da iniciativa privada.
4-Requalificação e contenção das zonas altas. É crucial que seja invertida a politica aplicada nas denominadas zonas altas da cidade. Esta politica tem permitido um crescimento desregrado com consequências para a qualidade da paisagem, custos desproporcionados em infraestruturas e duvidoso acréscimo de qualidade de vida dos seus habitantes. É necessário parar drasticamente o crescimento destas zonas e arranjar alternativas em zonas favoráveis.
5-Valorização dos espaços de lazer. Uma cidade com a dimensão do Funchal e com procura turÃstica como é o caso, deve ter uma especial atenção com os seus espaços de lazer, tal como os parques, jardins, acessos balneares, levadas e locais de espectáculo e cultura. Não basta que se criem novas áreas. É necessário que estas tenham uma qualidade superior.
6-Construção e gestão dos espaços públicos. Por alguma razão a Câmara não tem sabido gerir a construção do espaço público, sobretudo nas zonas de expansão. É fundamental que o MunicÃpio construa antecipadamente as infraestruturas públicas para posteriormente as novas construções se adaptarem. O que se tem passado é o contrário, resultando a maior parte das vezes em intervenções avulsas, feitas a maior parte das vezes à custa dos promotores, com resultados desastrosos.
7-Ordenamento da Orla Costeira. As arribas, escarpas e praias do Funchal fazem parte da sua identidade. Sem deixar de proporcionar o acesso ao mar por parte da população, a construção de infraestruturas balneares ou mesmo a ocupação por construções particulares, habitacionais, hoteleiras ou outras, é imperativo que essas intervenções sejam acompanhadas de bom senso e regras especificas de forma a não alterar o carácter da frente marÃtima da cidade.
24 de Setembro de 2007
