Concursos de Arquitectura
Artigos de Opinião
A revista espanhola “AV proyectosâ€, dedica a sua edição de Outubro/2005 a uma série de concursos de arquitectura. Trata-se de uma publicação que, a par com outras revistas similares, como a 2G, Arq./A, El croquis, Casabella, L’ architecture d’aujour hui, Icon e outras, umas portuguesas, outras espanholas, francesas, italianas, inglesas e por aà fora, divulga a arquitectura não só para o mundo dos arquitectos mas também para o grande público.
Só neste número são apresentados oito concursos recentes. Tratam-se de concursos promovidos por fundações, pelo estado ou pelos MunicÃpios. Em resumo, são concursos onde se pretende encontrar o melhor projecto, a melhor equipa, a melhor solução para resolver questões urbanas, enquadramentos paisagÃsticos, ou edifÃcios que irão certamente transformar os lugares. Dos concursos publicados na “AV proyectosâ€, há dois que, pela forma e pelo conteúdo, me chamaram a atenção. São eles, o concurso para recuperação paisagÃstica e urbana dos terrenos da Ribera del Manzanares em Madrid e também o projecto de uma torre com 93 pisos para o Dubai.
O primeiro, organizado em duas fases permitia, na primeira, a participação livre de qualquer equipa. Na segunda fase, em que foram convidados 6 arquitectos de renome mundial como Peter Eisenman (o arquitecto da nova torre sobre o ground zero das twin towers em NY), participaram também duas equipas finalistas da primeira fase, em igualdade de circunstâncias. O júri, que contava com personalidades como o arquitecto Vittorio Magnano Lampugnani (professor e director do Institute of Urban Design na Suiça), acabou por escolher a proposta de uma das equipas espanholas, liderada por Ginés Garrido, finalista da primeira fase do concurso. O concurso foi organizado pelo Ayuntamento de Madrid. A obra já começou. A reportagem sobre o segundo concurso, mostra uma torre de 93 pisos para o Dubai ganha por dois jovens arquitectos com cerca de 30 anos Lorenzo Grifantini e Tavis Wright, sedeados em Londres.
O primeiro caso demonstra que um concurso público e aberto tem a suas vantagens. A modalidade de o fazer em duas fases permite sobretudo não desperdiçar as ideias de quem está disposto a arriscar por sua conta e risco e, ao mesmo tempo, incluir arquitectos de reconhecida qualidade, dando credibilidade e elevando o nÃvel do concurso. Ao mesmo tempo, tratando-se de nomes conhecidos, acabam por publicitar os concursos e consequentemente as cidades que os promovem. O segundo concurso revela um factor importante: os concursos permitem a renovação de sangue no mundo da arquitectura, com o aparecimento novos valores e a apresentação de novas abordagens.
Além do mais os concursos também permitem à cidade ficar com uma série de elementos de estudo e a visão de diferentes perspectivas dos lugares, podendo ser aproveitadas pelos executivos para pensar o desenvolvimento das suas urbes.
Uma preparação adequada e séria de um concurso, eliminando à partida qualquer suspeita de interesses ocultos, com prazos razoáveis, só trás mais valias para Arquitectura e, consequentemente, às cidades. Sabendo desde logo, que a Arquitectura, para além de servir os seus utilizadores, pode constituir um recurso se a sua qualidade contribuir para atrair visitantes, tenho pena que a Madeira não tenha aproveitado a quantidade de obras dos últimos anos, para ter promovido internacionalmente a Região através de concursos de Arquitectura bem lançados. Resta a esperança de ainda o poder fazer no futuro.
Funchal, 28 de Março de 2006
