CIDADES INVISÍVEIS - Ilha Utópica

Artigos de Opinião

“Ano de 2018, 27 de Setembro, ilha do Porto Santo. Este ano, a ilha do Porto Santo comemora os 600 anos da sua descoberta e povoamento. Celebra também o sucesso do seu projecto de desenvolvimento, traçado há vinte anos, que fazem deste território a única ilha ecológica europeia.
O projecto que tanta polémica causou na altura e de que muitos duvidavam, é hoje a razão de sucesso económico dos seus habitantes e um factor de atractividade para o turismo que procura nesta ilha um ambiente que não consegue encontrar na Europa, a cerca de duas horas deste destino de lazer.

O estado de desenvolvimento em que a ilha se encontrava nos anos noventa do passado século, ainda propício a que se moldasse uma intervenção no território distinta da que se fazia prever, foi o ideal para que o Governo Regional liderasse o processo de transformação que hoje toda a população celebra e reconhece.
Hoje os cidadãos do Porto Santo, orgulham-se de ser a única ilha onde só circulam veículos movidos com energias não poluentes e servido por uma rede de transportes públicos eficiente. Embora haja ainda alguns meios de transporte individuais, sobretudo bicicletas e motociclos eléctricos, quase toda a população entende os veículos familiares, como um luxo desnecessário, já que a rede de transportes públicos que serve o sistema urbano reordenado, é de tal maneira eficaz que se torna mais cómoda que o transporte individual.
A renovação do sistema urbanístico, que nos primeiros dez anos, enfrentou fortes protestos da população e que fez diminuir a procura turística nessa altura, veio a revelar uma assinalável economia nas infraestruturas e respectiva manutenção, dando lugar a núcleos urbanos de grande qualidade arquitectónica, boa integração na paisagem e espaços urbanos com óptima qualidade de vida. É certo que a demolição de grande parte do casario existente, sobretudo fora da Vila, e a reestruturação do sistema fundiário, pôs em causa, a certa altura, a continuidade do projecto. No entanto a forma como foi exposto o assunto aos cidadãos e o mérito da equipa multidisciplinar que apresentou o projecto, recolheu finalmente o consenso dos cidadãos.

Fruto deste projecto, temos hoje em dia uma comunidade local composta não só por Portosantenses mas por uma grande percentagem de cidadãos oriundos de muitos países da Europa, que escolheram esta ilha para viver.
O Centro Tecnológico criado há cinco anos conseguiu trazer um conjunto de profissionais e empresas que operam aqui com trabalho para o resto do mundo e que trouxeram à ilha um espírito cosmopolita. Esta gente, que hoje são cidadãos do Porto Santo, encontram aqui um ambiente distinto das grandes urbes europeias, sem poluição e o afã de uma vida citadina. As empresas aqui instaladas oferecem aos seus trabalhadores altamente qualificados, um ambiente tranquilo, com praia e uma paisagem cuidada, a duas horas dos grandes centros urbanos europeus. Os turistas que hoje chegam a esta ilha para o seu lazer, procuram não o cartaz das palmeiras com o eterno pôr do sol e a praia deslumbrante, mas sim a ilha saudável e não poluída, um clima simpático mas não paradisíaco, espaços urbanos planeados e a paisagem cuidada.

O projecto que se iniciou há vinte anos, que não procurou modelos globalizantes e que nada têm a ver com este território, é celebrado hoje com sucesso e satisfação de todos os que aqui vivem e também dos que nos visitam.

Estamos hoje em crer que, tendo em consideração o estado de desenvolvimento desta ilha e a sua sustentabilidade comprovada pelo mais alto galardão atribuído pela organização das “Cidades e Vilas Sustentáveis”, e atendendo ao modelo de desenvolvimento escolhido para a ilha da Madeira que levou à degradação do meio ambiente e retrocesso na procura turística, na qual baseou a sua economia, podemos pôr em cima da mesa uma proposta:
a independência do Porto Santo da Região Autónoma da Madeira.”

27 de Setembro de 2006

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