Sobre(voando) os Arquitectos
Artigos de OpiniãoTeve lugar nos finais do passado mês de Novembro o 2º Congresso da Ordem dos Arquitectos em Guimarães, o décimo de Arquitectura contando com os que aconteceram desde do primeiro em 1948, organizado pelo Sindicato dos Arquitectos, e dos sete seguintes pela Associação dos Arquitectos. Nas várias comunicações distribuÃdas pelos 3 painéis (“Arquitectura como recursoâ€, “Arquitectura como conhecimentoâ€, Arquitectura como práticaâ€), assim como na única moção apresentada, foram abordados diversos temas que estão presentes na vida do arquitecto, quer seja no seu dia a dia, desempenhando a sua profissão, quer seja como reflexão sobre assuntos que estão intimamente ligados à sua actividade mas que dizem respeito a toda a sociedade. Temas que nos tocam a todos em quanto cidadãos, porque dizem respeito à qualidade da arquitectura e construção, à s cidades e à qualidade do ambiente urbano, ao desenvolvimento do território em geral e à qualidade dos sistemas ecológicos, ou seja à nossa vida e ao ambiente que nos envolve, seja urbano ou seja rural.
No decorrer deste congresso foi realçado, nas diversas comunicações o sentido do tema do Congresso, “Direito à Arquitecturaâ€. O papel que a Ordem deve ter junto da sociedade civil é determinante para promover a Arquitectura, a qualidade dos espaços urbanos e a conservação e recuperação da paisagem rural. É cada vez mais claro que a Ordem, não se deve remeter unicamente a um papel puramente corporativo na defesa dos interesses dos seus membros mas deve, sobretudo, ter em vista a defesa da Arquitectura. Neste sentido, para além do papel associativo que desempenha para os seus membros, deve ter uma função interventiva e de estreita colaboração com as diversas instituições públicas, tendo como objectivo fazer da Arquitectura, da cidade e da nossa paisagem, um dos motores principais do desenvolvimento e da implementação da qualidade de vida no nosso paÃs. À semelhança do que existe noutros paÃses da Comunidade Europeia e tendo em conta a Resolução do Conselho da União Europeia de 12/02/2001, que considera a Arquitectura “como elemento fundamental da história, da cultura e do quadro de vida de cada paÃsâ€, é crucial que seja implementada uma Politica Nacional de Arquitectura que contribua para a qualidade de vida dos cidadãos, para valorização do património e incentive o desenvolvimento sustentável das regiões.
Evidentemente que, para que seja implementado um sistema de qualidade na Arquitectura, na construção e no desenvolvimento do território em geral, é imprescindÃvel que algumas práticas e polÃticas tomem outro rumo. É urgente que o desenvolvimento do território seja assente em politicas de planeamento urbanÃstico e que isso não seja imposto como uma obrigação à s instituições competentes, mas que isso parta de uma consciência e vontade próprias das autarquias e dos governos, de que essa forma é a melhor e única forma de concorrer para um Desenvolvimento Sustentável do Território.
Funchal, 15 de Janeiro de 2004
LuÃs Vilhena
